Conakri, 4 de Novembro 2003
fronteira e de ONGs, a Guiné está a tornar-se num refúgio cada vez mais procurado por milhares
de crianças que tentam escapar ao recrutamento forçado para combaterem em guerras na
região ocidental de África.
A Directora Executiva da Unicef descreveu a situação, dizendo que o que está a acontecer é que
muitas crianças refugiadas se juntam a milhares de crianças guineenses separadas das suas
famílias, e que todas elas estão entregues a si próprias em centros urbanos.
O problema é agravado devido ao regresso gradual de crianças guineenses vindas da vizinha
Libéria, onde haviam sido recrutadas para combater na guerra que durante anos se travou no
país.
“É uma imagem comum a todos os conflitos da última década na África ocidental,” diz a
responsável da Unicef. “Crianças que tentam escapar ao recrutamento forçado, à violência e à
exploração e a um autêntico vai e vem entre fronteiras, começando por ser crianças não
acompanhadas num lado para se tornarem crianças-soldado noutro e refugiadas num terceiro. E
o mais provável é voltarem à vida de soldados se não conseguirem arranjar outro meio de
subsistência, ou se forem pura e simplesmente rejeitadas pelas famílias.”
Durante a última década, mais de um milhão de refugiados de países vizinhos como a Libéria, a
Costa do Marfim e a Serra Leoa procuraram abrigo na empobrecida Guiné, absorvendo recursos
nacionais e programas das organizações de ajuda humanitária. Mais de 100.000 pessoas vivem
em campos de refugiados e, segundo uma sondagem recente, outras 50.000, sobretudo jovens,
vivem nas ruas das principais cidades.
A Unicef e o
nacionalidades, na sua grande maioria rapazes que estão a viver na rua. A Unicef conseguiu
fazer a reunificação de mais de metade destas crianças com as suas famílias, mas diz que os
fundos para continuar com este trabalho acabaram, e que há ainda milhares de crianças por
registar e à espera de auxílio.
“Temos indicações de que o número de crianças que procura chegar à Guiné está a aumentar”,
afirmou a Sra Bellamy. “Há uma oportunidade para quebrar o ciclo, ou seja, impedir que estas
crianças regressem à servidão da guerra, à escravatura, e à exploração sexual em países
vizinhos. Estamos a trabalhar com estas crianças, mas, muito francamente, a falta de dinheiro
está a por em causa a nossa capacidade para continuar, precisamente quando as crianças que
precisam de ajuda são cada vez mais.”
A Unicef está também a tentar registar e desmobilizar crianças-soldado guineenses que se
calcula serem cerca de 2.000 e das quais um quinto serão raparigas. Perto de 350 estão a ter
formação vocacional e ajuda com vista à reintegração nas suas famílias. A falta de verba pode
obrigar-nos a deixar o processo de reintegração destas crianças a meio e muitas outras sem
perspectivas de apoio.
Apesar das contribuições generosas do Reino Unido e da Suécia, a Guiné conseguiu atrair
apenas um quarto do financiamento necessário para levar por diante os seus programas.