terça-feira, 19 de junho de 2012

Crianças em conflito na África


Quantas vezes reclamamos se nossos alunos.....quantas.....
Mas é melhor eles estarem na escola, nos dando trabalho, nos dando dor de cabeça
do que estarem na guerra, como várias crianças africanas....


quinta-feira, 14 de junho de 2012

A história local dos afro-descendentes

Projeto

Objetivos
Estabelecer relações entre passado e presente, discutindo mudanças e permanências nas relações sociais.
Estabelecer uma ponte entre o conteúdo estudado e sua vida cotidiana por meio de estudos da história local.
Compreender e valorizar elementos das culturas africanas e de afrodescendência.
Ampliar o conceito de cidadania, discutindo questões como respeito à diversidade, religiosidade e sincretismo, preconceito, direitos, inclusão.

Anos
7º, 8º , 9º anos  e 3º ano Ensino médio

Tempo estimado

3 aulas e atividades extra-classe em prazo a ser definido pelo professor.

Material necessário
Câmeras fotográficas, gravadores ou mp3 player, computador com acesso à internet.

Introdução
A importância de se estudar a história de africanos e de afro-descendentes está relacionada às profundas relações que guardamos com a África. No geral, somos frutos dos encontros e confrontos entre diferentes grupos étnicos como indígenas, europeus, africanos e outros.

Entendemos que história do Brasil e história da África estão intimamente relacionadas, cabendo ao professor ampliar a discussão sobre, por exemplo, a escravidão, introduzindo elementos da história dos africanos, de sua cultura e não tratá-los como simples mercadoria que enriquecia europeus e tiveram seu trabalho explorado à exaustão no Brasil antes e após a independência política.

Nessa perspectiva, não podemos tratar a questão africana apenas do ponto de vista da escravidão, como se fosse uma questão isolada e superada pela assinatura da Lei Áurea em 1888. Um ponto de partida para ampliar nossa visão e tentar superar as visões estereotipadas sobre o tema é procurar recuperar os elementos da resistência negra, suas formas de luta e de organização, sua cultura, não apenas no passado, mas também no tempo presente.

Desenvolvimento
1ª. etapa
Comece o trabalho explorando com os alunos os elementos da história africana e/ou da presença africana na História do Brasil que eles já tenham estudado. Procure levantar os conhecimentos dos alunos acerca das relações sociais estabelecidas, das visões que foram construídas sobre africanos e afro-descendentes no Brasil, sobre a cultura africana e/ou a mescla de culturas que se convencionou chamar "cultura brasileira" com forte influência de elementos africanos. É possível que surjam respostas que remetam a determinados assuntos como alimentação, música, dança, lutas e religiosidade. Se não surgirem, instigue-os a refletir sobre a presença ou ausência desses elementos no modo de vida deles.

Após essa conversa inicial, convide os alunos para explorar o site www.acordacultura.org.br, que mostra informações sobre a cultura negra africana em forma de jogos, livros animados, vídeos, músicas e textos. Dica: veja textos sobre a importância da cultura negra na coluna da esquerda da página inicial - "valores civilizatórios".

A exploração do site é apenas um ponto de partida para a discussão que poderá ser fundamentada em conhecimentos anteriores dos alunos, de acordo com os conteúdos previstos no currículo de História, como:
- História da África, incluindo elementos da cultura e religiosidade etc. (o período variando de acordo com o ano/série dos alunos).
- Escravidão no Período Colonial e/ou no Período do Império. As lutas e as formas de resistência, e elementos da cultura trazida pelos africanos.

Proponha aos alunos um trabalho de investigação da presença da cultura negra na localidade e das relações sociais estabelecidas entre os diferentes grupos étnicos, por meio de entrevistas. O objetivo é fazer com que os alunos percebam as relações entre o passado (os conteúdos estudados em História) e o tempo presente, observando as mudanças e permanências nas relações estabelecidas entre os diferentes grupos étnicos e da situação dos afro-descendentes na sociedade brasileira. Essas pesquisas podem ser incluídas em um blog produzido pela classe. Será um espaço de debate virtual em que os alunos da escola e os moradores da comunidade local poderão trocar idéias sobre o assunto.

2ª etapa
Agora é o momento de planejar as entrevistas. Divida a turma em grupos de quatro ou cinco alunos e faça a mediação dos seguintes pontos:

- O levantamento de afro-descendentes que sejam moradores antigos da localidade para serem entrevistados.

- Combinar com os alunos se as entrevistas serão realizadas na escola ou na casa dos entrevistados.

- Elaborar as questões que serão feitas aos entrevistados. Exemplos de coleta de bons depoimentos podem ser encontrados no portal do Museu da Pessoa (www.museudapessoa.net).
O questionário deverá ter:
Nome
Idade
Há quanto tempo mora na localidade,
Profissão, atividades que exerceu
Religião
O lazer no passado e no presente
Os tipos de música e de dança preferidos do passado e do presente
Se sofre ou já sofreu discriminação por ser afro-descendente
Participa de organizações como clubes, associações de moradores, ONGs que lutem pela defesa dos direitos dos afro-descendentes
Outras questões sugeridas pelos alunos a partir dos estudos realizados

- A definição das formas de registro da entrevista

- Reforçar com os alunos a importância do respeito aos entrevistados.

- O estabelecimento de uma data para que os materiais coletados sejam levados para a classe.

3ª. etapa
Os grupos de alunos deverão realizar as seguintes atividades:

- Contatar os moradores escolhidos, explicando o objetivo da entrevista.

- Gravar as entrevistas com equipamentos de áudio (gravadores, mp3 player etc.)

- Pedir permissão para fotografar os entrevistados

- Perguntar se eles possuem fotos antigas ou outros objetos e se permitem que eles sejam fotografados para compor o trabalho final.

No retorno do trabalho, em sala de aula, você deverá mediar a socialização das experiências de cada grupo por meio da discussão:
- como se deu a interação com os entrevistados
- quais foram as informações obtidas
- as semelhanças e diferenças entre as respostas dos entrevistados

4ª. etapa
A partir das entrevistas e dos materiais coletados, é possível recuperar um pouco da história das relações sociais na localidade, da presença (ou não) de discriminação de afro-descendentes e de elementos da cultura de origem africana.

Produto final
O material coletado pode ser organizado:
- em um painel com fotos e informações escritas
- elaboração coletiva de um blog que poderá conter as gravações das entrevistas, depoimentos de alunos sobre o tema, mudanças e permanências nas relações sociais na localidade, espaço para postagem de sugestões sobre a formas de combate ao preconceito e à discriminação racial.

Avaliação
Os pontos que deverão ser avaliados são:
- envolvimento e participação dos alunos nas discussões em grupos
- pertinência das informações e dos materiais coletados
- organização e clareza das informações no painel e nos textos e áudios postados no blog.
 
Fonte: www. revistanovaescola.com.br

 

 

 

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Guiné – uma porta para as crianças cansadas da guerra


Conakri, 4 de Novembro 2003
fronteira e de ONGs, a Guiné está a tornar-se num refúgio cada vez mais procurado por milhares
de crianças que tentam escapar ao recrutamento forçado para combaterem em guerras na
região ocidental de África.
A Directora Executiva da Unicef descreveu a situação, dizendo que o que está a acontecer é que
muitas crianças refugiadas se juntam a milhares de crianças guineenses separadas das suas
famílias, e que todas elas estão entregues a si próprias em centros urbanos.
O problema é agravado devido ao regresso gradual de crianças guineenses vindas da vizinha
Libéria, onde haviam sido recrutadas para combater na guerra que durante anos se travou no
país.
“É uma imagem comum a todos os conflitos da última década na África ocidental,” diz a
responsável da Unicef. “Crianças que tentam escapar ao recrutamento forçado, à violência e à
exploração e a um autêntico vai e vem entre fronteiras, começando por ser crianças não
acompanhadas num lado para se tornarem crianças-soldado noutro e refugiadas num terceiro. E
o mais provável é voltarem à vida de soldados se não conseguirem arranjar outro meio de
subsistência, ou se forem pura e simplesmente rejeitadas pelas famílias.”
Durante a última década, mais de um milhão de refugiados de países vizinhos como a Libéria, a
Costa do Marfim e a Serra Leoa procuraram abrigo na empobrecida Guiné, absorvendo recursos
nacionais e programas das organizações de ajuda humanitária. Mais de 100.000 pessoas vivem
em campos de refugiados e, segundo uma sondagem recente, outras 50.000, sobretudo jovens,
vivem nas ruas das principais cidades.
A Unicef e o
nacionalidades, na sua grande maioria rapazes que estão a viver na rua. A Unicef conseguiu
fazer a reunificação de mais de metade destas crianças com as suas famílias, mas diz que os
fundos para continuar com este trabalho acabaram, e que há ainda milhares de crianças por
registar e à espera de auxílio.
“Temos indicações de que o número de crianças que procura chegar à Guiné está a aumentar”,
afirmou a Sra Bellamy. “Há uma oportunidade para quebrar o ciclo, ou seja, impedir que estas
crianças regressem à servidão da guerra, à escravatura, e à exploração sexual em países
vizinhos. Estamos a trabalhar com estas crianças, mas, muito francamente, a falta de dinheiro
está a por em causa a nossa capacidade para continuar, precisamente quando as crianças que
precisam de ajuda são cada vez mais.”
A Unicef está também a tentar registar e desmobilizar crianças-soldado guineenses que se
calcula serem cerca de 2.000 e das quais um quinto serão raparigas. Perto de 350 estão a ter
formação vocacional e ajuda com vista à reintegração nas suas famílias. A falta de verba pode
obrigar-nos a deixar o processo de reintegração destas crianças a meio e muitas outras sem
perspectivas de apoio.
Apesar das contribuições generosas do Reino Unido e da Suécia, a Guiné conseguiu atrair
apenas um quarto do financiamento necessário para levar por diante os seus programas.
- A Unicef afirmou hoje que, segundo relatos de controladores deInternational Rescue Committee identificaram 2.000 crianças de várias
Nota:
Actualmente, mais de 300.000 crianças – rapazes e raparigas com menos de 18 anos – estão
envolvidos em mais de 30 conflitos que travam em diversas partes do mundo. As crianças são
utilizadas como combatentes, mensageiros, carregadores, cozinheiros e obrigadas a serviços
sexuais. Algumas são raptadas ou recrutadas à força, outras são levadas a alistar-se devido à
pobreza, a abusos e à discriminação. Desde meados dos anos 80, a Unicef tem desempenhado
um papel importante, fazendo pressão e assegurando a libertação de crianças alistadas em
exércitos ou em grupos armados em países como o Afeganistão, Angola, Burundi, Colômbia,
Guiné-Bissau, Libéria, Moçambique, República do Congo, Ruanda, Serra Leoa, Somália, Sri
Lanka, Sudão e Uganda. A Unicef e várias ONGs com as quais tem trabalhado têm prestado
cuidados, assistência técnica e, em certos casos, apoio financeiro para a concretização de
programas nacionais de desarmamento, desmobilização e reintegração.
Para mais informação, é favor contactar:
John Brittain, Unicef Guiné, +224 228 746,
jbritain@unicef.org
Damien Personnaz, Unicef Genebra, + 41 22 909 5716,
dpersonnaz@unicef.orgMadalena Grilo, Comité Port. para a Unicef, 21 317 75 00/11 press@unicef.pt

sábado, 9 de junho de 2012

CAMISETAS VIAJANDO

O simples ato de doar roupas usadas para "ajudar" pessoas em países africanos pode ter consequencias inesperadas, como contribuir para o fracasso da indústria local. Como? Veja no documentário CAMISETAS VIAJANDO da TV ESCOLA.  
 
  • Sinopse
    O documentário faz uma interessante análise da situação política, econômica e social dos países africanos a partir do gigantesco mercado de roupas usadas existente no continente.
    Peças de vestuário dos países desenvolvidos terminam seus dias úteis no corpo dos africanos. Estimulam o comércio, mas acabam com as indústrias. As professoras convidadas sugerem um trabalho interdisciplinar em que questionam as identidades em um mundo globalizado.
         Veja também as dicas de um professor de arte, para que possamos pensar na interdisciplinaridade.
http://tvescola.mec.gov.br/images/stories/download_aulas_pdf/fichas_ok/ensino_medio/acervo/acervo_2009_camisetas_viajando.pdf

segunda-feira, 4 de junho de 2012

A África em filmes

Um recurso valioso para o professor em sala de aula para ensinar sobre a África são os filmes. Existem vários, abaixo algumas sugestões:
MONTANHAS DA LUA
Montanhas da Lua é um filme que descreve a expedição levada a cabo em 1854 por Richard Burton e John Hanning Speke em busca da nascente do Nilo. Burton é um explorador polifacetado, culto e dinâmico. Fala mais de 40 idiomas e é também poeta e antropólogo. Speke, mais jovem, é um aventureiro. O seu sonho é viajar para África para explorar terra desconhecidas. Baseado nas suas biografias e nos artigos escritos pelos dois exploradores ingleses, As Montanhas da Lua é uma aventura de descobrimentos, amizade, ambição, traição e arrependimento.
Dirigido por:  Bob Rafelson
Com: Iain Glen, Parrick Bergin, Richard E. Grant    
Gênero: Ação / Aventura
Nacionalidade: Estados Unidos
HOTEL RUANDA
Em 1994 um conflito político em Ruanda levou à morte de quase um milhão de pessoas em apenas cem dias. Sem apoio dos demais países, os ruandenses tiveram que buscar saídas em seu próprio cotidiano para sobreviver. Uma delas foi oferecida por Paul Rusesabagina (Don Cheadle), que era gerente do hotel Milles Collines, localizado na capital do país. Contando apenas com sua coragem, Paul abrigou no hotel mais de 1200 pessoas durante o conflito.
Dirigido por:  Terry George
Nacionalidade:  Reino Unido, África do Sul, Itália

DIAMANTES DE SANGUE
Serra Leoa, final da década de 90. O país está em plena guerra civil, com conflitos constantes entre o governo e a Força Unida Revolucionária (FUR). Quando uma tropa da FUR invade uma aldeia da etnia Mende, o pescador Solomon Vandy (Djimon Hounson) é separado de sua família, que consegue fugir. Solomon é levado a um campo de mineração de diamantes, onde é obrigado a trabalhar. Lá ele encontra um diamante cor-de-rosa, que tem cerca de 100 quilates. Solomon consegue escondê-lo em um pedaço de pano e o enterra, mas é descoberto por um integrante da FUR. Neste exato momento ocorre um ataque do governo, que faz com que Solomon e vários dos presentes sejam presos. Ao chegar na cadeia lá está Danny Archer (Leonardo DiCaprio), um ex-mercenário nascido no Zimbábue que se dedica a contrabandear diamantes para a Libéria, de onde são vendidos a grandes corporações. Danny ouve um integrante da FUR acusar Solomon de ter escondido o diamante e se interessa pela história. Ao deixar a prisão Danny faz com que Solomon também saia, propondo-lhe um trato: que ele mostre onde o diamante está escondido, em troca de ajuda para que possa encontrar sua família. Solomon não acredita em Danny mas, sem saída, aceita o acordo.
Dirigido por: Edward Zwick
Gênero: Aventura, Drama, Suspense
Nacionalidade: EUA, Alemanha

O ÚLTIMO REI DA ESCÓCIA
Nicholas Garrigan (James McAvoy) é um elegante médico escocês, que deixou recentemente a faculdade. Ele parte para Uganda em busca de aventura, romance e alegria, por poder ajudar um país que precisa muito de suas habilidades médicas. Logo após sua chegada Nicholas é levado ao local de um acidente bizarro, onde o líder recém-empossado do país Idi Amin (Forest Whitaker), atropelou uma vaca com seu Maserati. Nicholas consegue dominar a situação, o que impressiona Amin. Obcecado com a cultura e a história da Escócia, Amin se afeiçoa a Nicholas e lhe oferece a oportunidade de ser seu médico particular. Ele aceita a oferta, o que faz com que passe a frequentar o círculo interno de um dos mais terríveis ditadores da África.
Dirigido por: Kevin Macdonald
Nacionalidade:  Reino Unido

domingo, 3 de junho de 2012

quinta-feira, 31 de maio de 2012

POR QUE RIEM DA ÁFRICA?

“Se você perguntar a qualquer pessoa: o que sabe sobre a África? Com certeza, a resposta vem com uma risadinha... sem graça, disfarçando, pois a pessoa não sabe nada ou quase nada sobre o continente africano.
E por que isso sempre acontece? Por que riem da África?
Afinal, o continente africano foi o berço da humanidade, a história do ser humano começa lá, onde surgiu o Homo Sapiens há cerca de 160 mil anos: os achados arqueológicos comprovam essa informação e a civilização mais antiga do mundo localiza-se na atual Etiópia.
Outra coisa: quando se fala de civilização, de cultura, as pessoas quase sempre citam a Grécia ou Roma, ou mesmo o Egito. Mas, as pessoas se “esquecem”, ou não sabem, que o Egito fica no continente africano. Os egípcios marcaram sua ascendência civilizatória sobre povos e civilizações que beiravam o Mar Mediterrâneo: assírios, cretenses, hititas, persas (atualmente iranianos), os helênicos, entre outros.
Contudo, (...) os europeus, para justificarem a pseudo-superioridade dos brancos sobre os negros africanos, e sua “missão civilizatória” criaram um mecanismo eficaz: eles “retiraram” o Egito da África, inventando uma categoria conceitual: culturas mediterrâneas.”

O texto acima é de Dilma Melo Silva, no livro "Por que riem da África?", que faz parte da Coleção Percepções da Diferença: Negros e brancos na escola. Este livro é destinado a professores da educação infantil e do ensino fudamental. Seu intuito é discutir de maneira direta e com profundidade alguns temas que constituem verdadeiros dilemas para professores diante das discriminações sofridas por crianças negras de diferentes idades em seu cotidiano nas escolas.
O livro pode ser baixado do site http://www.usp.br/neinb/livros/vol(6).pdf